quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Matador de aluguel

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Seu corpo estirado no tapete, marcas de sangue por todo lado. Como fora difícil! Perdi a conta dos golpes, cinco ou seis, talvez. Minha vó já dizia: Praga ruim não morre fácil. O fato é que fez por merecer. Tirou-me de minha casa. Por ti foram noites em um hotel frio e sujo até que a burocracia me fizesse retornar. Pensei que as vias legais te afastariam de mim, enganei-me. Acabei por ter que fazer o serviço sujo. Vi-me sem dinheiro e com o motivo de meus tormentos novamente a minha porta. Ah, mas com certeza por essa você não esperava. Uma mulher frágil e bobona como eu jamais cometeria um assassinato dessa natureza. Pensou assim e se ferrou, matei-te. Com requintes de crueldade e não sabe com que satisfação olho teu corpo agora! Nunca mais terei tua presença asquerosa assombrando meus dias.
Ninguém me faz de boba!
-Alô. É da DDZUM?
-Sim. Quem fala?
-Aqui é da residência 34 da Rua das Flores, Bairro Indaiatuba. Vocês estiveram aqui ontem.
-Claro. A senhora ficou satisfeita com o serviço?
-Uma ova. Quero meu dinheiro de volta. E por favor, mande alguém buscar a ratazana, acabei de matar.

domingo, 23 de dezembro de 2007

A Janela (foto Abstrakt Algebra)

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Paulo era ranzinza, mal humorado.Parecia carregar o desgosto do mundo nas costas.Por vezes ouvira seu colega de trabalho dizer:
___Relaxa.Já experimentou olhar o amanhecer? O canto dos pássaros? O pôr do sol? Abra a janela da vida meu caro!
___Isso é coisa de quem não tem o que fazer.Ou de quem enlouqueceu de vez, prefiro entrar para o Partido Verde...E seguia assim, xingando a mãe do mundo.Era segunda-feira. O dia conspirava contra ele. Odiava as segundas-feiras.
___Merda! Ele havia levantado às pressas e escorregou no skate que o filho mais jovem esquecera no corredor. Caiu de frente para a janela, estava precisando ser pintada.Por um momento lembrou do amigo:" Abra a janela...". Abriu.
De cara viu os carros passando numa correria desenfreada.Buzinas e xingamentos: "Barbeiro". Uma freiada brusca. Uma mulher quase fora atropelada.Mais na frente uma propaganda de cuecas, um enorme modelo quase nú desfilando num outdoor.Mais uma freiada brusca:" Vá pra casa motorista de fogão!" Uma mulher havia ultrapassado o sinal vermelho.
É...Com certeza os pássaros tinham fugido junto com toda a paisagem.
Ele fechou a janela com força e olhando em direção à cozinha gritou:
___ESSA PORRA DE CAFÉ SAI OU NÃO SAI???

Me Morte

Quem matou o elemento?

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Cinco da matina, a favela parecia morta, nem os olheiros do tráfeco estavam acordados, deviam ter mamado todas durante a noite.
Um elemento descia do morro, andar manso, jeitão de quem vai aprontar, viu uma morena de olhar 171 e disse:
-Aí ô vadia, chega junto.
-Olá amor, que tu manda?
-Táis afim dumas paradas aí?
-Tô dura meu.
-Pô! Tá me estranhando o piranha? Mina gostosa neguinho banca.
-Ai, que amor...
-Podes crer...
-Pa, pa, pa...Três tiros secos, um bem no meio do peito e o sujeito caiu mortinho no chão.
O crime prescreveu e nunca acharam o assassino. Quem matou o sujeito?
-Sei lá meu.
-Fui eu xará. Mexeu com mulé minha eu coloco sete palmos de terra em cima. Ou não me chamo Detetive Escopeta.
-Ah...Conta outra. Tu aposentou cara, não mata nem uma mosca!
-Sério...
-Escopa! A pia tá cheia de louça...Preciso lembrar você de suas obrigações?
A mulher olhava os amigos com cara de pouca conversa.
-É...Bons tempos aqueles. -"Já vou benzinho, já vou..."






Me Morte
(foto de Ricardo "TattooDevil" da Costa)

domingo, 2 de dezembro de 2007

Baú


-Estão dizendo que a casa é assombrada...
-Não acreditou numa besteira dessas, acreditou?
Meu noivo havia pegado a chave na imobiliária, precisávamos alugar uma casa urgente. O casamento era no próximo mês e ainda não tínhamos onde morar.
-Por que o cara da imobiliária não veio com a gente?
-Ora meu amor. Ele confiou na gente, tinha outros compromissos, só isso.
Abrimos à porta da frente e ele entrou para me passar confiança.
-Venha Ana Elisa. Não há nada aqui, olhe.
Entrei e em alguns minutos esqueci totalmente dos rumores de assombração.
-A casa é linda! Olhe, uma lareira.
-Já pensou a gente namorando ao pé da lareira no inverno? Marcos me olhou com o olhar carregado de desejo.
Em dois dias fechamos o contrato e começamos a mobiliar.
-Amor. Amanhã não poderei vir. É final de mês, trabalho até tarde. Se quisermos nossa lua de mel na praia tenho que deixar tudo certo na empresa.
No dia seguinte, bem cedo, estacionei na garagem da nova casa. Precisava acertar os últimos arranjos, o pessoal da loja ia entregar nosso jogo de quarto, queria escolher as melhores roupas de cama, afinal íamos estrear uma vida a dois ali.
Foi quando ouvi uma voz me chamando. Parecia minha mãe.
-Ana Elisa. Suba aqui, por favor.
-Mãe? Minha mãe ali? Como ela tinha entrado? A chave estava comigo. Minha mãe não sabia que tínhamos alugado a casa. Será que Marcos havia contado e esquecido de comentar?
-Aqui em cima. Depressa. Socorro!
Subi as escadas correndo e percebi que a voz vinha do sótão.
-Mãe... Está aí em cima? Subi a escada estreita e abri a pequena porta que dava acesso ao topo da casa.
-Aqui...
-Onde? Onde está você? O sótão estava vazio e só havia um baú num cantinho, meio escondido.
-Aqui. No baú. Venha rápido.
Eu senti um calafrio, mas não tive dúvidas, era minha mãe. Corri até o baú e o abri.
Era enorme e estava cheio de bonecas de pano.
-Mãe...? Uma das bonecas chamou minha atenção. Seu vestido era lilás e seu rosto parecia muito com o de minha mãe.
Peguei a boneca e fiquei admirando. Tive a nítida impressão que a boneca sorrira.
-Ora. É só uma boneca. Joguei-a para dentro do baú e quando ia fechar a tampa senti dois braços fortes me empurrando para dentro da caixa. Foi tudo muito rápido e desmaiei.
O som vinha de muito longe. Parecia a voz de Marcos. Tinha mais alguém com ele.
-Fica tranqüilo meu filho. Ela vai aparecer.
-Dois dias Dona Luiza. Dois dias sem dar notícia.
Era a voz da minha mãe. Estava escuro. Parecia que eu estava em um lugar trancado, sem luz, sem ar. Tentei gritar, mas a voz saiu fraca.
-Marcos! Estou aqui. Ajude-me! Não conseguia identificar o lugar onde estava. A voz do rapaz parecia se distanciar. Tinha que reunir todas as minhas forças.
–SOCORRO! Marcos! SOCORRO!
Foram gritos alucinados. Perdi a conta de quantas vezes gritei por socorro. Foi quando levei um susto: O telhado se abriu e um rosto enorme apareceu. Quase enfartei de susto. Parecia um gigante... Minha voz sumiu na garganta. Fiquei paralisada. Era Marcos e minha mãe.
-Ora Dona Luiza. Aqui só tem bonecas de pano. Eu não disse que era só sua imaginação? Saíram e desmaiei novamente.


Me Morte
(foto de Augusto Peixoto)

sábado, 23 de junho de 2007

Sedução



Encontrei uma andorinha literata.De galho em galho me provocava, fazia mil caras, sedução.

Eu, sabiá descolado, sempre nas noites, sempre garanhão, caí ao chão!

E a linda andorinha seguia, pelos bosques me olhava, de rabo de olho piscava.Quando eu virava me lia, me absorvia, sugava...Percebo que a linda andorinha chupou a alma que um dia eu disse estar morta.
Agora bateu uma tristeza! Percebo que, sem querer, enfeitei a mesa para a linda andorinha morrer.

Queria dar a mão, na agonia, beijar a fronte que me fez renascer, mas estou morto a dias, devorado pelos olhos amados, esperando para ser enterrado de tanta tristeza!

Não terei sorte?A vida para mim é morte?Ou sou eu que mato os amores?

Deus!Tire meus olhos, me cegue!Para nunca mais espiar essa febre que de mim se apoderou!
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Me
(foto de Antônio Manuel Pinto da Silva)

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Indigente

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O corpo estendido na maca era de mulher. Coberto de carne dilacerada, o peito aberto como se tivesse levado dezenas de facadas. Um corpo nu, mais nada. Morto, abusado, seco de sangue e sujo de gozo. Estuprada. Uma mulher que há pouco respirava. Há pouco sorria, chorava, vivia, cantava...Fragilidade e frieza própria de quem morre. Morta, nua, intocável, finalizada. Será que foi amada? Ou morreu só? Teria uma história de vida ou a morte seria sua história? Ninguém sabe. Ninguém se importa. Ninguém lhe daria rosas no túmulo.
Era um cheiro de éter insuportável!
-Merda! Meu pai bem que dizia: Seja dentista! E eu optei por médico legista. -Desculpe moça. Não fossem esses furos até que dava.
Guardou o membro, fechou o ziper da calça e empurrou a gaveta. Ela merecia um epílogo.






Me

terça-feira, 19 de junho de 2007

Ame-me querida

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O silêncio era interrompido vez ou outra por um grito ou freada brusca vindo da rua. O quarto era simples, a cama de ferro, lençol branco e jarro de água na cabeceira.
-Oi amor. Demorei muito? Ele chegou perto da cama e puxou o lençol deixando à mostra o corpo miúdo vestido com uma camisola de algodão – Os meus pacientes não me deram folga hoje, fiz três cirurgias.
A moça parecia abatida, inerte, como se estivesse em outra dimensão.
-Ficou chateada? Ora, venha cá. Vou dar o que você gosta.
Rasgou o tecido e o seio descoberto parecia convidá-lo a luxuria com seu bico rosa e durinho. Abocanhou-o enquanto com sua mão procurava seu sexo abrindo a passagem estreita e seca.
-Vamos meu amor, eu sei que você pode fazer mais que isso. Teu ursinho chegou não me deixe com raiva. Penetrou seu membro de supetão e estocou-a uma, duas, três vezes, como se quisesse castigá-la.
A moça continuou apática e isso o deixou mais irritado, virou-a de bruços e fodeu seu ânus como um animal. O sêmen misturava-se ao sangue por entre as coxas alvas.
-Sua vadia. Sempre a mesma coisa. Não faz nada. Nenhum gesto de amor. Gosta de ser machucada.
Novamente excitado se aproximou de seu rosto e disse:
-Vai engolir minha porra hoje.
Algum tempo depois, com o membro mole, limpou-se rapidamente e saiu trancando a porta. Antes se virou e disse:
-Até breve meu amor.
Na garagem ficou de tocaia. Era 7 da manhã, estava na hora. Viu o moço na porta lateral e não hesitou, ligou o motor e saiu em disparada. Acelerou e num só golpe atropelou o rapaz. Com rapidez colocou-o no porta malas e limpou os vestígios de sangue com a mangueira que o faxineiro guardava no cantinho da escada de incêndio.
Calmamente pegou o telefone e discou...
Mais tarde ao chegar á clinica viu uma aglomeração se formando na recepção e quis saber:
-Enfermeira, o que aconteceu?
-A paciente do 318 doutor. Faleceu.
-Como? Estava estável, era coma induzido.
-Estupro doutor. Pelo enfermeiro de plantão. O maníaco a asfixiou com o próprio sêmen. O estranho é que a polícia recebeu uma denúncia anônima em seguida. Parece que o enfermeiro surtou e desapareceu.
-Ninguém sabe dele?
-Ainda não o pegaram. Foi durante a madrugada. Essa aglomeração é dos repórteres. Uns urubus.
-Alguma novidade?
-O de sempre. Dois acidentes e quatro internações.
Dois homens, uma criança e uma mulher.
-Jovem?
-Sim, uns trinta anos.
Seus olhos brilharam.

Me

.(foto de Rui Evaristo)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Meta

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-A senhora reconhece algum deles? O detetive apontou através do vidro: Seis homens enfileirados. Rosa estava segurando o choro enquanto olhava atentamente, um a um.

-O terceiro.

-Tem certeza?

-Olha, certeza, certeza, eu não tenho. Sofro de miopia, não vejo bem de longe. Eu tenho certeza que os outros não são, a pele era morena como a do terceiro.

-Hum...O policial coçou a cabeça e disse ao colega: Traga o rapaz aqui, o terceiro, vede os olhos dele para que não veja.

-Não. Não precisa. Deixe ele me ver. Quero que saiba que fui eu. Não me importo. Trouxeram o rapaz e a moça apoiou o braço na parede, estava enojada, levou a mão à boca.

-Está se sentindo bem? Quer um copo d”água”? O policial percebeu sua súbita palidez.

-Não. Não precisa, obrigado. Abaixou o rosto e vomitou no canto da sala.

-Por favor Dona Rosa, diga logo e retiro o meliante, assim se sentirá melhor. Reconhece o pedófilo que estuprou sua filha?

-Não.

-Não?

-Não é ele. Tenho certeza. Saiu em direção à porta e quando passou ao lado do rapaz, parou e olhou bem nos seus olhos. O rapaz virou de costas, não queria que ela mudasse de idéia. Dona Rosa, como se tivesse planejado, o abraçou por trás enquanto, ao mesmo tempo e sem piedade, enfiou fundo uma faca afiada em seu coração. As mãos juntas, firmes, não desprendiam, por nada. O sangue jorrava junto aos gritos do bandido, os policiais tentando tirá-la e a lâmina fundo, contraindo toda musculatura do corpo que estrebuchava.

-Tira ela...solta! Num tranco tiraram Dona Rosa e a faca ficou lá, cravada fundo enquanto o rapaz agonizava no chão da sala. Dona Rosa segurou o peito e num segundo viu tudo escurecer. Enfartou ali mesmo. Enquanto faziam os primeiros socorros, a mulher abriu os olhos e sussurrou:

-Perda de tempo, eu vou morrer.

-Não. A senhora tem que reagir, fique calma. Teve uma parada cardíaca e o médico de plantão teve que usar o desfibrilador, por sorte tinham comprado uma na semana passada depois que um policial falecera por demora no procedimento.

-Ela voltou...A senhora vai ficar bem, vamos levá-la ao hospital.

-Não...deixe-me morrer. O pulso estava fraco. O policial disse:

-Dona Rosa, o pedófilo está vivo, não morreu. Ele escapou e a senhora também vai viver. Ela abriu os olhos a procura do infeliz e começou a reagir.

-Pronto. Apliquei uma sedativo, agora a levem ao hospital. Por que disse que o cara estava vivo? Ele já agonizou faz tempo.

-Ela reagiu não foi?


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Me Morte
(foto de ABrito - Beauty)

terça-feira, 5 de junho de 2007

Obsessão (foto de Graça Loureiro)

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Teus olhos são lindos!

-Por favor...

-Quieta...Deixe-me contemplar a luz que irradia deles. Azuis como um céu, brilhantes como a lua. Teus olhos me fascinam, me dominam, me atraem como imãs. Quanto te vi pela primeira vez já sabia: seriam meus. Quero ser teu guia, teu cão, teu amor. Olhe para mim. Veja meu rosto. É tua imagem perpétua refletida nele.Aproximou-se e beijou os olhos da moça num ritual mágico.

-Por favor...

-Quieta.

Imóvel, amarrada à cadeira,não pode se defender quando as duas agulhas penetraram em sua retina...

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Me Morte

segunda-feira, 4 de junho de 2007

CILADA II (foto de Graça Loureiro)

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A cena era clara: O marido comia como um porco. Fazia ruídos com a boca, o som da mastigação era nojento. À noite roncava atrapalhando meu sono. Babava no travesseiro. Tinha um recipiente na beira da cama que usava durante a madrugada para mijar, por pura preguiça de ir ao banheiro. Bebia muita cerveja em frente à TV e depois ia dormir. Não deu noutra: virou o conteúdo do pinico em nossa cama. Que cheiro! Aquele líquido morno tocara minha perna...
Voltei à realidade e dei a resposta que todos esperavam.
-NÃO.
O padre confuso perguntou novamente:
-Maria Luiza: aceita Paulo Roberto, como seu legítimo esposo, para amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?
-NÃO.Virei as costas e fugi em disparada.
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Me

quarta-feira, 23 de maio de 2007

MonAlisa (publicado no www.bardoescritor.net/ www.memorteme.blogspot.com)


Rita tinha dois empregos, zeladora da universidade e diarista.Tudo para manter Manuela, sua filha, no curso de arquitetura. Mona, era assim que a chamava, pois tinha o mesmo sorriso enigmático da Monalisa de Da Vinci.
Estava fazendo uma prova para bolsa de estudos.
-Ei...Psiu, Mona...Era Júlio, seu velho amigo de infância pedindo cola.

- A 2ª, por favor...Mona ergueu a saia e mostrou um pedaço de papel colado à calcinha de renda. Julio ficou tenso, ela sempre o provocava, mas aquele não era o melhor momento.
-Pegue.- A moça o olhou com malícia. Júlio estendeu a mão e tocou no papel, trêmulo. Mona deslizou na cadeira fazendo-o tocar no fundo úmido e fino da malha de algodão. Puxou a mão do garoto e o fez gemer. O papel que havia sido arrancado caiu ao chão. Mona fez menção de pegá-lo quando...
-Deixe que eu pego.- Era o professor que assistira tudo. Pronto, estava ferrada. Que burrice.Sempre agia assim, sem pensar.Mas agora...Não!Era o fim.Sua mãe ia ter um enfarte de desgosto.
-Eu não ia colar professor.Era uma brincadeira.
-Cala a boca! Dê-me essa prova.
-Por favor,...
-Já disse, me dê essa prova!- Tomou com força e começou um longo discurso.-Cansei de ser bonzinho com você, garotinha mimada.Só está aqui por causa de sua mãe, sempre trabalhando feito uma louca enquanto você faz das suas.Bebedeiras, desacatos, sempre revoltada com o mundo.
-Por favor, professor, eu não ia colar.Uma chance, por favor...
-Uma? E todas que já dei?
-Dessa vez sou inocente.Não pretendia colar. Era uma brincadeira...
-Dê-me a prova e saia da sala.Já!
A moça entregou a prova e levantou-se.
O professor coçou a cabeça. Talvez tivesse exagerado. E se fosse só uma brincadeira mesmo? Não podia levar tudo a ferro e fogo. De qualquer maneira, ela merecia um susto.Respirou fundo e disse:
-Espera...
-Como? Mona estava sem entender.
-24 horas...Você não adora brincar com outros?Não vive tentando ser o centro das atenções?Pois agora vai ter sua chance.Tem 24 horas para me surpreender.Vale a sua prova.Mas vou adiantando, nada mais que você faça me surpreende, esgotou todas as possibilidades.
-Não to entendendo...
-Dane-se!Choque!Faça-me ficar boquiaberto.Se jogue do décimo andar, morra, mas choque!Quero ver até onde vai sua criatividade.Disse isso e foi até a porta. -Agora saia!Fora!
Na rua ainda ouvia os risos dos colegas:
-Fodida! ESTÁ FODIDA!
Entrou no ônibus e foi para casa.
O que fazer?Já tinha entrado na sala do diretor e feito um strep em cima da mesa, o que lhe rendeu 10 dias de suspensão; peidara dentro do elevador cheio de gente; já se despira durante o sermão da igreja, o que lhe rendeu uma surra. Sem saber o que fazer chegou ao portão da fazenda onde morava com a mãe. Os donos só vinham aos finais de semana. Sua mãe cuidava da manutenção da casa e dos animais. Ganhava um extra que ajudava nas despesas.
Olhou para o galinheiro e foi até a cerca.
-Olá galinhada! Sentia-se uma idiota.Qualquer galinha ali merecia mais respeito que ela. Olhou pela primeira vez para uma delas, majestosa, com suas penas amarelas. -Olá. Está quentinha aí? Tinha oito ovos e a galinha parecia querer proteger suas crias. Era uma verme mesmo! Até aquela galinha fazia tudo por seus filhos. A mãe, coitada, teria uma síncope quando soubesse que perdeu a prova. Pegou um dos ovos e agasalhou junto ao corpo.Sentia necessidade de ser útil.
No dia seguinte, o professor entrava na universidade quando o zelador veio ao seu encontro.
-Doutor...Não foi culpa minha.
-Do que está falando?
-A moça...Apontou para a sala de aula que estava aberta.
-Que moça?O que houve?Um frio na barriga, ele correu em direção a porta. Mona estava deitada ao chão enrolada num cobertor.Quando viu o professor sentou e disse: -Bom Dia. -Que faz aí? Dormiu aqui? Mona ergueu as mãos e mostrou o pinto que acabara de nascer.O chão ainda tinha as cascas finas do ovo. -Meu Deus!Ele estava impressionado.Você...Chocou?
Mona deu o seu famoso sorriso enigmático como resposta.
FIM
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Me Morte

Profissão Esperteza (Releitura de um conto de domínio popular “Sabedoria Antiga”)

(publicado no www.bardoescritor.net)



Os seios mais lindos que eu já vi! Dois melões suculentos! Tenho que abocanhá-los. É uma necessidade quase mortal. Nada mais importa. Preciso sentir o gosto! São enormes! Belos!
-Calma Rui. Verei o que posso fazer. Mas vai custar caro. Uns mil dólares.
-Pago o que for preciso.
-Ok. Eu volto a dar notícias.
Esperto e ardiloso, lá foi Roberto Tavares, advogado trambiqueiro, até a fazenda de Dona Cida, a dona dos famosos seios. Seu marido era o fazendeiro mais abastado da região, Ananias Barroso, de tradicional família de plantadores de batatas.
-Roberto! Que bons ventos o trazem? Entre. Eram amigos de longa data, quase parentes.
Ficou hospedado alguns dias e na véspera de sua partida, pôs o plano em prática. Entrou sorrateiro no quarto da mulher e colocou pó de mico no sutien que estava pindurado na porta do armário.No dia seguinte Seu Ananias acordou desesperado.
-Nunca vi doença assim. Ela coça os peitos desesperada, já estão em carne viva.
-Isso é Hepatite Varicelática de pele.
-Isso é grave?
-Não, se achar o remédio certo. Saliva de homem de meia idade virgem.
-Virgem? Minha Nossa Senhora! Valha-me Nosso Senhor!
-Calma. Eu conheço alguém assim.
-Conhece? Eu pago o que for preciso. Dinheiro não é problema.
E lá foi Roberto em busca do amigo.De volta e com tudo planejado, entraram na porteira da fazenda.
-Eis o amigo de que lhe falei, Rui Santos.
-Minha mulher ta lá no quarto. Vou mandar buscar um copo para colher a saliva.
-Não! Tem que ter contato com a língua.
-O que?
-Não se preocupe. Cochichou em seu ouvido: Ele é viado.
-Coitado! Imagino o sacrifício que fará. Pago em dobro.
Rui entrou no quarto e teve a visão mais linda de toda sua vida: Dona Cida deitada, nua, coçando os seios. –Com licença Dona. Preciso iniciar o tratamento. Caiu de boca. Primeiro no direito, depois o esquerdo: Lambeu, chupou, abocanhou, mamou nos peitões, até se fartar. Foram duas horas de muito lambe-lambe. Já estava com as calças cheias de esperma.Ia saindo quando a mulher disse:-Doutor... Tem uma coçeirinha aqui ainda. Apontou para a vagina. Não deu noutra. Lambeu, lambeu... E quando sentiu que a mulher ia gozar, penetrou-a com seu mastro e se deliciou.Antes de sair disse: - Não se preocupe. As particularidades do tratamento serão um segredo só nosso. Piscou e saiu.Depois disso não quis mais contato com o amigo advogado.
-Mil dólares... Jamais! Trambiqueiro! O serviço fui eu que fiz, ora. Não atendia os telefonemas, não respondia os recados, nada.
Duas semanas mais tarde acordou no meio da noite, assustado. Três brutamontes invadiram sua casa, armados de rifles.
-O Sr. Ananias quer vê-lo.
-O que aconteceu? Dona Cida teve uma recaída?
-Venha conosco. E lá foi, rumo à fazenda. -Que bom. Eu já estava com saudades daqueles peitões. Pensou com seus botões.Chegando à casa, foram logo entrando. Dona Cida os recebeu.
-Venha. Rápido. Foram para o quarto. Lá, deitado na cama, nu, coçando os testículos já vermelhos e inchados, o Senhor Ananias.
-Lambe logo moço... Isso dói pra caramba!
Os rifles apontados para sua cabeça e do outro lado da cama, Roberto, com um sorriso nos lábios...
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Me Morte

Círculo Vicioso (publicado no www.bardoescritor.net/www.memorteme.blogspot.com)


Flávio tinha dezoito anos de idade e estava numa reunião da seita dos Meninos do Demo de Tatuapé. Tinha acabado de vender a alma ao tinhoso que apareceu em meio ao transe e anunciou: - Serás rico e terás a mulher que desejar, bastando estalar os dedos. Mas preste atenção: um dia venho cobrar. Vinte e dois anos se passaram. Era dia 23 de março de 2007. Tinha quarenta anos e era compulsivo por sexo, não resistia a uma boceta. Acordou com o barulho do despertador. Seis horas. Trabalhou e no final do dia se preparou para um encontro em seu apartamento. Contratara uma puta. Estava cansado das mulheres certinhas, queria depravação. A campainha tocou. Era uma loura estonteante com um par de seios que saltava da blusa. –Olá...! Ele saltou de boca no decote da moça e não viu mais nada. Literalmente. Acordou no dia seguinte com o ânus dolorido. Tentou lembrar do ocorrido, mas não deu. A última coisa que tinha na mente eram os seios em sua boca gulosa. Olhou o relógio: 6 horas. Mas por que o relógio despertou? Era sábado. Ligou para informações e levou um choque: Ainda era sexta-feira! Tinha algo errado. O trabalho se repetiu e a noite também. Dez dias se passaram, todos iguais. Seu ânus já estava em carne viva. No décimo primeiro dia ele acordou mais tarde, o relógio não despertou. -Será? Correu para o telefone. -Alô. Informações? -Sim. Em que posso ajudá-lo? -Por favor: que dia é hoje? -Sábado senhor. Dia 24 de março. Ele deu um grito de satisfação. Correu ao banheiro para se lavar. O telefone tocou novamente. -Alô. -Flávio? -Eu mesmo. Quem fala? -Lembra de mim? O quarto se encheu de um aroma de enxofre. Eu disse que viria receber um dia. -Ai.... -Calma. O inferno está lotado. Você deu sorte. Não posso mais levar almas até o ano que vem quando teremos uma reforma por lá. -Mas andou por aqui esses dias... -Sim. Eu cobro as dívidas assim. Uma enrabada e deixo a vítima em paz. -Uma? Foram dez...Suponho. Estou todo deflorado. -Eu tenho culpa se teu rabo vicia xará?
Me Morte
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terça-feira, 22 de maio de 2007

Divórcio (conto publicado no www.nanobardoescritor.blogspot.com)

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Se ao conhecê-la, nos anos 60, tivesse se imaginado ali, num tribunal, brigando por ninharias, certamente teria virado a esquina em sentido contrário.





Me Morte

Matemática pura (conto publicado no www.nanobardoescritor.blogspot.com)

Eram dez horas. Já contara umas dez vezes as gotas daquele soro em seu braço.
Por dez longos dias chorara, desde que descobrira um tumor maligno no fígado, no dia dez de outubro de 2010, há exatamente dez dias, e há dez longos minutos o médico olhava seu rosto, preocupado, após ler o laudo de sua nova biópsia. Contou até dez e se adiantou:
-Tudo bem doutor. O senhor deve ter descoberto mais nove tumores...acertei?



MeMorte

A Hora É Agora

Aprendera com a vida, ninguém foge desse doloroso instante.Uns mais rapidamente, outros sofrem horas intermináveis.E por mais que estivesse preparado era como uma assutadora tortura! Nunca vira uma dor tão forte!Parecia que atravessava lado a lado e findava no vértice do abdômen. O fim estava próximo. Concentrou, como se dependesse dele, abreviar mais rapidamente a agonia. E, numa força maior, como em um parto, expeliu o que dilacerava fundo o âmago entérico,a feijoada no vaso sanitário.

Alvo

Eu andava pela rua, rumo ao colégio. Seis horas da tarde. Um mendigo sentado na calçada, rasgado, sujo, olhos vermelhos e barba branca. Parecia ter uns 70 anos de idade. Coitado! Vida dura. Poderia ser meu pai. Que eu podia fazer? Uma adolescente que não tinha onde cair morta... -Boa noite. Dei o meu melhor sorriso e segui meu caminho. Uma voz gritou: -Cuidado!!! O tijolo vôou e acertou minha cabeça. Desmaiei. Acordei com um enfermeiro ao lado e o velho numa camisa de força.

Me Morte

Tara (publicado no www.memorteme.blogspot.com/www.apoenicos.zip.net)

Provocava todos a sua volta.Roupas coladas, saia minúscula, olhares fatais.A boca carnuda, sempre molhada pela lingua num ritual de sedução.O rebolado, seios de bicos rijos...Quando tomavam coragem numa abordagem mais direta: --Vai para o inferno! Não sou pro teu bico!Fora daqui! Sempre na mesma rua, Av dos Imigrantes sentido centro.Fazia de propósito.Parece que queria brincar com os homens que ali passavam. Até que um dia, cansados de tanta humilhação, os operários da construção decidiram: iriam estuprar aquela gostosa. Era cinco da tarde.Encerraram seus afazeres mais cedo e ficaram de tocaia.A moça costumava passar pouco antes das seis. Enquanto um tapava sua boca, outro arrastava-a pelos cabelos e o outro abria a porta da frente. Pegaram a moça dos modos mais bizarros.Ela gostava de humilhar, ia ver.Era penetrada ora por um, ora por outro.Não resistiu, foi sodomizada sem reclamar.Aceitou sexo oral, até engoliu todo sêmem.Fizeram fila, revezaram, se fartaram.E no final, disseram: --Pode provocar agora.Essa bundinha já foi minha.Essa boquinha, esse par de seios, tudinho garota.Fez por merecer.Não diz nada? A moça tentava limpar os vestígios de sangue misturados á esperma de sua pele branca.Pegou a bolsa, tirou um celular, discou rapidamente e disse: _Pode vir me buscar agora.Na construção em frente ao carro. -Merda! Vamos sair daqui... -É tarde...falou em meio a uma gargalhada. -Quem é você? Da polícia? Dois sujeitos brutamontes adentraram o recinto armados até os dentes. -Teu pai te esfola menina.Outra vez essa tua tara por estupro? -Tenho culpa?Adoro.Em meio às gargalhadas disse:-Depois...são só operários.Menos três trouxas no mundo. Antes de sair, voltou-se e disse: -Prazer.Sou Maria Fernanda. A filha do "Fernandinho Beira Mar". Me Morte

Uma Bela e Tenra Espiga de Milho Cozida (texto publicado no www.bardoescritor.net)

Eu disse para você o quanto amo uma boa espiga de milho! Na forma de um bolo crocante, um mingau, vulgo Curau, como chamam em Minas Gerais ou assada direta no fogo.Hum...deliciosa! Mas nenhuma das formas se compara a uma boa espiga de milho cozida na água e sal. Você abocanha ela, crava seus dentes e arranca grão por grão, no final dá uma bela chupada na espiga e vem aquele caldinho saboroso. Só de descrever sinto a boca cheia de água! Eu perco minha cabeça quando devoro um milho assim!Avisei você, não foi? Não tens o direito de morrer agora esvaindo-se em sangue! Sabias que eu odiava sexo oral.Então por que, cargas d'agua, foi dizer: ___Imagine uma bela e tenra espiga de milho cozida!?

segunda-feira, 21 de maio de 2007

João da Capa

No Ano de 1953, no norte de Minas Gerais, em meados de Novembro, numa pacata cidadezinha chamada Porteirinha, aconteceu um fato curioso, para não dizer assombroso. Fato esse que vou narrar mas, por favor, que os mais impressionáveis, não leiam.Contam que, dentre os fazendeiros da região, havia um rico e abastado apelidado de “João da Capa”. Recebeu esse apelido por usar uma capa preta que arrastava no chão, a qual só tirava mesmo pra dormir.Sua esposa, mulher dedicada, adorava jóias. Incansavelmente exibia colares, tiaras, anéis de rubis, chaveiros etc. Mas tinha um anel, solitário, uma super pedra de diamante. Esse ela não tirava nem para dormir.Um dia, acometida de uma pneumonia, Dona “Esmeralda”, esse era o seu nome, veio a falecer. Não, sem antes, fazer seu marido, João da Capa, prometer que seria enterrada com seu anel preferido.O enterro foi pomposo, muitas flores, homenagens dignas até, de uma autoridade. A banda da prefeitura acompanhou o cortejo e todos pareciam compadecidos com o sofrimento do marido.Logo mais à noite, João da Capa foi visto de canto em canto, com uma garrafa de aguardente na mão num sofrimento de dar dó.Os dias se passavam e sem se conformar João da capa cada vez mais era visto bêbado, delirando. “Descanse em paz Esmeralda”, “Deixe-me em paz Esmeralda”. Ninguém sabia ao certo o motivo das frases alucinadas.Os amigos decidiram investigar e começaram a seguir os passos de João da Capa.A fazenda antes próspera e bem cuidada, agora abandonada, pois o coitado nunca mais lá voltara, estava às escuras. Na porteira uma mulher de branco, véu no rosto, de longe parecia muito com Dona Esmeralda. Zé Vitor, Joaquim e Alfredo, os amigos que investigavam o caso, pararam a alguns metros da fazenda. Os olhos arregalados, coração batendo em disparada:__ Céus! É dona Esmeralda!Constataram apavorados o motivo do abandono da fazenda. O fantasma da mulher agarrado a porteira, gemia e gritava:__ Devolva meu anel! Quero-o de volta ou nunca mais te deixarei em paz!Deram meia volta e não olharam para trás!Aí tudo ficou esclarecido.João da Capa, largado no banco da praça, com muito custo, respondia às indagações dos amigos.Disse que achou um desperdício enterrar a mulher com uma jóia tão cara e que antes de fechar o caixão, fez a besteira, tirou o anel. Agora não tinha mais a coragem de levar o “dito cujo” ao cemitério.Pediu que os amigos o acompanhasse, mas um a um, todos deram uma desculpa. Não queriam se arriscar a uma vingança da falecida.Eis que, depois de muitos goles, João da Capa se decide:__ Vou hoje, à meia noite, ao cemitério devolver o anel. Abro um pouquinho o túmulo, jogo para dentro e vou-me embora.__ Não João! Disse Alfredo.__ Não vá embora sem rezar para falecida, ela pode cobrar a reza depois.E lá se foi João da Capa, o relógio da igreja começou a 1ª das 12 badaladas. O silêncio era mortal; só se ouvia o ranger do portão do cemitério e os passos de João, capa arrastando no chão, invadindo os túmulos à procura do de Dona Esmeralda.Era muito escuro, depois de alguns túmulos errados, eis que avistou o que buscava. Ergueu a tampa, jogou o anel e preparava-se para ir embora quando lembrou do que disse Alfredo:__ Não sem rezar antes!Ajoelhou-se então e apoiando os braços no túmulo começou:“Ave Maria cheia de graça... Agora e na hora de nossa morte Amem!”.Pronto, agora com dever cumprido vou embora!Nisso, ajoelhado, fez menção de levantar, mas, “Deus”, sentiu que era puxado de volta ao chão!__ Alguém está me puxando! Suava frio!Novamente tentava erguer-se e era como se alguém o puxasse para baixo.__ “Esmeralda de Deus”, perdoe-me, deixe-me ir embora.Ele sentia como se alguém o puxasse para dentro do túmulo!Seu coração explodia, o suor escorria, as pernas bambas, não deu noutra, o coitado teve um enfarte fulminante e faleceu ali mesmo! Pobre João da Capa havia ficado tão nervoso, não percebeu que era a própria capa que enroscava em seus pés e quando se erguia era como se alguém o puxasse de volta ao chão.Seu enterro foi lindo, cheio de flores, homenagens, etc. Só um fato ninguém sabe explicar.João da Capa foi encontrado sem sua famosa capa e por isso enterrado sem ela.Esse fato mudou os hábitos dos moradores de “Porteirinha”. Até hoje, ninguém mais se aproxima da fazenda, pois dizem que é mal assombrada. Assim que o sol se poe toda cidade já dorme. Dizem que têm medo de encontrar João por aí reclamando sua capa. E você, por acaso sabe de algo a respeito da Capa de João? Se estiver com ela, leve até o cemitério quando o relógio da praça soar 12 badaladas. Ah! Só não esqueça de rezar.


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